Não houve fim.
Não houve depois que encerrasse o que foi iniciado com cálculo e convicção.
A morte foi planejada.
Organizada em detalhes.
Executada com método, com técnica, com o respaldo de uma falsa ciência que nomeou a eugenia como verdade e tentou transformar hierarquia em destino.
Corpos foram marcados.
Vidas foram interrompidas.
Infâncias foram arrancadas.
Houve laboratórios onde deveria haver cuidado.
Houve arquivos onde deveria haver memória —
e mesmo esses arquivos tentaram apagar.
Mas o apagamento nunca foi completo.
Porque aquilo que foi destruído na matéria
não deixou de existir na presença.
Elas permanecem.
Nos nomes que resistem ao esquecimento.
Nas histórias que voltam a ser contadas.
Nos gestos de quem recusa o silêncio imposto.
Por todas elas —
por aquelas que tiveram seus nomes registrados
e por aquelas que sequer foram nomeadas —
há uma continuidade que não pode ser interrompida.
Seus filhos seguem.
E os filhos de seus filhos.
Não como resto,
mas como afirmação.
Gravados não apenas na história,
mas naquilo que se recusa a desaparecer:
na memória viva,
na dignidade que persiste,
e nos nossos corações.
Por memória, por justiça e por continuidade,
seguimos.
AMSK/Brasil – Associação Internacional Maylê Sara Kalí
Em nome das mulheres, das famílias e das gerações Romani
que resistiram, resistem e resistirão.