Mulheres Romani no Primeiro Congresso Mundial Romani – Legado e Protagonismo
Eva Davidová — A fotógrafa que registrou a história - a última do lado direito/abaixo na foto)
Papel: Participante e fotógrafa oficial do congresso.
Contribuição: Graças a ela, hoje podemos ver as fotos que mostram a presença de três mulheres, mesmo que os registros escritos só mencionem uma ou duas.
Importância histórica: Eva foi a guardiã visual do evento, preservando momentos que ajudaram a contar a história do movimento romani para o mundo.
Curiosidade: Embora essencial para a documentação, seu nome quase não aparece nos relatos oficiais, mostrando como quem registra nem sempre é lembrado. Outro fator importante é o fato de que ninguem vence lutas de forma isolada. Foi conhecida por documentar a experiência dos Sinti e Roma sob o nazismo e trabalhar em filmes que revelavam o genocídio que esses povos sofreram durante a Segunda Guerra Mundial. Seu trabalho cinematográfico é reconhecido em coleções como o Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos e em eventos culturais importantes.
Melanie Spitta — A sobrevivente Sinti e ativista (a quarta foto na parte inferior)
Papel: Representante feminina no congresso, delegada oficial.
Origem: Alemanha Ocidental, comunidade Sinti.
História pessoal: Sobrevivente do genocídio nazista, perdeu familiares em Auschwitz.
Contribuição: Representou a voz das mulheres Sinti e participou ativamente das discussões e decisões do congresso.
Legado: Seu papel mostra como mulheres romani já estavam envolvidas na construção de direitos e identidade internacional do povo Roma desde 1971. Melanie Spitta foi uma cineasta e ativista Sinti (Sinti é um grupo dentro dos povos romani), nascida em 1946 em Hasselt, Bélgica, em uma família Sinti que fugiu da perseguição nazista. Ela sobreviveu à perseguição racista, mas praticamente toda sua família foi morta em campos como Auschwitz. Importante no contexto do Congresso: Spitta foi uma das duas mulheres delegadas no Primeiro Congresso Mundial Romani de 1971 e a única mulher documentada de forma mais clara entre os representantes presentes nesse evento histórico.
Raya Bielemberg — A companheira representativa (foto na primeira linha)
Papel: Delegada feminina ao lado de Melanie Spitta, em Londres, de 7 a 12 de 1971
Origem e história pessoal: Pouco documentada, mas presença confirmada nas fotos e nos relatos do congresso.
Contribuição: Representou as mulheres do movimento romani, participando de um espaço histórico majoritariamente masculino.
Importância: Raya é símbolo de todas as mulheres cujas contribuições foram invisibilizadas nos registros oficiais, mas que estavam presentes e influenciaram o evento. Levou consigo parte importante da cultura e a representou nesse espaço.
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Entre as figuras que marcaram o Primeiro Congresso Mundial Romani, várias mulheres se destacaram como pioneiras e agentes de mudança, abrindo caminhos para futuras gerações. Elas foram fundamentais para que hoje possamos continuar lutando por visibilidade, direitos e memória.
Duas foram as delegadas oficiais, entretanto muitas outras estavam lá.
Mulheres presentes:
Raya Bielemberg – referência na organização e ativismo político. (delegada)
Lolla Kwiek – participação marcante na defesa de direitos e cultura Romani.
Magdalena Petrovith – voz na preservação da memória e tradição Romani.
Melaine Spitta – envolvimento em articulação internacional e representatividade feminina. (delegada)
Liselotte Muller – engajamento em causas sociais e políticas do povo Romani.
Essas mulheres, através de liderança, coragem e protagonismo, estabeleceram bases sólidas para:
A presença política de mulheres Romani em espaços internacionais.
A valorização da cultura e memória coletiva do povo Romani.
A abertura de caminhos para futuras ativistas e pesquisadoras.
8 de Abril e a construção de uma luta global: memória, identidade e resistência do povo romani
O 8 de abril não é apenas uma data comemorativa. É um marco político e histórico que remonta ao primeiro grande movimento de articulação internacional do povo romani, realizado em 1971, nos arredores de Londres, durante o Primeiro Congresso Mundial Romani.
Dia Internacional do Povo Romani – 8 de abril
No dia 8 de abril, o mundo celebra o Dia Internacional do Povo Romani, marcando o aniversário do Primeiro Congresso Mundial Romani, realizado em Chelsfield, perto de Londres, de 7 a 12 de abril de 1971. Este evento representou um ponto de virada na organização política e na defesa dos direitos do povo Romani, ao clamar pela autodeterminação e unidade internacional. Durante o congresso, foram apresentados a bandeira Romani e o hino “Gelem, Gelem”, que permanecem símbolos de unidade, dignidade e identidade do povo Romani.
O I Congresso Mundial Romani reuniu representantes do povo Romani de 14 países e resultou na fundação da União Romani Internacional (International Romani Union – IRU), estabelecendo a bandeira e o hino como símbolos da Nação Romani Internacional. Desde então, a IRU realiza congressos internacionais periódicos para fortalecer a defesa dos direitos humanos do povo Romani em todo o mundo.
A data de 8 de abril foi oficializada como Dia Internacional do Povo Romani em 1990, durante o IV Congresso Mundial Romani, realizado na cidade de Serock, na Polônia, em homenagem ao I Congresso de 1971. Desde então, o dia passou a simbolizar não apenas a celebração da cultura romani, mas também a continuidade de uma luta global por direitos, reconhecimento e justiça — uma luta que atravessa gerações e territórios e que ainda se faz urgente diante da persistência do racismo estrutural, do anticiganismo e das múltiplas formas de exclusão social.
Esta data é também um marco de conquistas e lutas históricas, lembrando que o povo Romani enfrentou perseguições seculares, incluindo o Holocausto Roma e Sinti (Samudaripen), e que ainda hoje luta por dignidade, direitos legais e reconhecimento.
Hoje, usamos esta data para honrar a herança cultural do povo Romani e sua rica contribuição para o patrimônio europeu e mundial, ao mesmo tempo em que conscientizamos sobre os desafios que ainda enfrentam. O dia serve como um lembrete da importância da igualdade, da não discriminação, do combate ao anticiganismo/romafobia e dos direitos humanos para as comunidades Romani ao redor do mundo.
Ao celebrarmos o Dia Internacional do Povo Romani, (Internacional Roma Day) é essencial refletir sobre os avanços conquistados e os desafios ainda existentes para garantir igualdade, dignidade e justiça para as pessoas e suas comunidades. É reafirmar o compromisso com uma sociedade mais justa, inclusiva e equitativa. A luta contínua e a consciência, o diálogo e a ação efetiva são caminhos essenciais para que a dignidade e a justiça alcancem todas as pessoas e as comunidades Romani.
Bahtalo 8-to April! ✨
AMSK/Brasil e parceir@s