#RespeitaEu
No dia 8 de julho de 2026, o
governador de Santa Catarina atravessou um território indígena sem pedir
licença. Não atravessou apenas uma terra: desrespeitou sua autoridade
tradicional, sua história e seu povo.
Um homem branco, investido da autoridade do
Estado, carregado de arrogância e insolência, adentrou a Terra Indígena Ibirama-La
Klãnõ, território do povo Laklãnõ Xokleng.
A Terra Indígena tem nome: Ibirama-La Klãnõ.
E tem uma cacica: Antônia Konheco Paté.
É uma mulher indígena que lidera
aproximadamente 200 pessoas em uma das nove aldeias que compõem a Terra
Indígena. Há anos, luta para que seu povo, sua história, sua memória e seu
direito de existir permaneçam vivos.
Um
governador e suas palavras
Frente a frente com a cacica Antônia, o
governador de Santa Catarina disse:
"Vai para a puta que pariu."
Diante da violência verbal, a cacica
respondeu:
"Eu sou cacica. Respeita eu. Essa
barragem está dentro de território indígena."
O governador respondeu apenas:
"E eu com isso?"
Essas palavras não atingem apenas uma
liderança indígena. Atingem um povo, sua autoridade tradicional, sua memória
coletiva e o dever constitucional de respeito aos povos indígenas.
A AMSK/Brasil – Associação Internacional
Maylê Sara Kalí e a IRU América Latina e Brasil reafirmam seu
compromisso com a voz da cacica Antônia Konheco Paté e com a luta do povo
Laklãnõ Xokleng pela defesa de seus direitos, de seu território e de sua
dignidade.
Governador Jorginho Mello:
Quem exerce um cargo público deve fazê-lo com
responsabilidade, respeito, educação e compostura. Nenhuma autoridade
institucional autoriza a humilhação de uma liderança indígena ou o desprezo por
seus direitos.
Respeite Antônia.
Respeite o povo Laklãnõ Xokleng.
Respeite as mulheres indígenas.
Respeite as crianças indígenas.
Respeite um povo cuja história é marcada por
séculos de violência, esbulho territorial e resistência. Desde o século XIX, os
Laklãnõ Xokleng enfrentam perseguições, massacres, a ação dos chamados
bugreiros, a perda de seus territórios e os impactos provocados pela construção
da Barragem Norte. Ainda hoje, seguem lutando para permanecer em sua terra,
preservando sua memória, sua cultura e seu direito de existir.
Porque não há democracia onde não há respeito
aos povos originários. Não há justiça quando uma autoridade pública escolhe a
humilhação em lugar do diálogo. E não há futuro para o Brasil sem o
reconhecimento da dignidade, da autonomia e dos direitos dos povos indígenas.
#RespeitaEu
#RespeitaAntônia
#PovoLaklãnõXokleng
#DireitosIndígenas
#ChegaDeViolênciaInstitucional

Comentários
Postar um comentário