Reflexões para servir a mesa com a bandeira do divino.

 

Mês 1 do ano de 2026

Dia 5 da Graça dos Santos Reis

Dia 6 da Graça dos Reis Santos


E hoje acendemos a vela para iluminar o retorno, a retirada da árvore, estabelecer o uso dos presentes e nos despedir do que aprendemos, a fim de colocá-los em prática. Em cada peça do presépio que desmontamos, seja ele onde estiver, ela ganha vida quando pensamos nas pessoas e nos tempos de hoje. Os imigrantes, os migrantes, suas travessias e a fuga de tantos desmandos. Agora eles estão bem mais perto, e sabemos que muitos vão virar as costas, assim como muitos vão aplaudir, como se a eles fosse atribuído o dom da superioridade de não se colocar como pessoa comum. A cosmologia da guerra.

E te convidamos a nossa mesa. Para refletir o prato e a bandeira do divino.

Homens ricos podem ter duas atitudes na vida; não lhes cabe passar em branco. Ou eles protegem seu dinheiro e ampliam o capital, ou reconhecem sua humanidade e responsabilidade diante dos fatos. Quanto bastará de sangue inocente? Quantas crianças terão que morrer em vida antes que a maioria esmagadora de pessoas perceba os ciclos do genocídio? Os Natais estão cada vez mais reais, e as condições daqueles tempos se multiplicam em vários continentes. Há quem dedique a vida a alertar, e entendemos que a hora de acordar, de fato, pertence a cada um e a cada uma.

Mulheres grávidas, mulheres mães, mulheres descalças e/ou despidas sob o julgo de tantos fatores, não importam as grandes marcas, que lucram com o brilho e entregam a magia da vida à conveniência mórbida de suas futilidades. Incrível pensar que tudo há para todos, mas não chega porque alguns precisam de mais, e assim os que comem fartas migalhas aplaudem, vestidos de suas ignorâncias.

A década de 2016 a 2026 foi recheada de ignorância e servida no prato dos tolos, regada a sangue de tantos inocentes. Palestina, Afeganistão, Iraque, Sudão, Congo, Miamar, Venezuela... De onde mais devem partir os que não devem ser vistos? E quando você pensa que é superior a alguém, chega a natureza, e a conta não fecha.

Guardo os camelos do presépio, pensando nos pés rachados de tantos homens, mulheres e crianças que continuam caminhando, fugindo, correndo e se escondendo de lugares onde um tal deus – que serve aos poucos homens ricos – usa farda e terno, arma e bíblia, e em pleno desmonte continua aumentando sua fortuna. Dizem que Igreja, farmácia e supermercado crescem em meio à pobreza. Acima deles, só as armas e o mercado do medo.

O ano virou, o Natal acabou, e o mundo tem gostado de chamar lunáticos de presidentes. Mas a televisão continua ligada, e assim vamos recolhendo os enfeites e os pisca-piscas do Natal. A tecnologia nos encanta e já é arma mortal. Incrível a capacidade da humanidade em destruir e dominar, onde a urgência seria curar e instruir. Mas não é comigo, dizem alguns. Outros, sorrindo o sorriso dos incautos, dizem: "Para que servem direitos humanos?" Muitas vezes se esquecendo da própria história.

Fato é que, quanto mais ignorante um povo, melhor para governar, e a legião de ignorantes celebra a morte, como se vida fosse, como se enterrar a história fosse a solução mais certeira. Ignoram os tempos aqueles que do seu próprio tempo não se ocupam e roubam as rabanadas das ceias de Natal, apagam as luzes e se escondem, antes em porões e hoje em mansões, tentando tão somente encerrar caminhos que jamais terão a chance de cruzar livremente. O pai rouba, o filho rouba, o avô rouba, e os netos passam fome. Os bodes expiatórios seguem sendo os mesmos, e é questão de tempo até que sejamos nós, por um motivo qualquer; sempre nos colocarão em alguma caixinha de destino certo.

Sejamos francos. Entretanto, continuarão usando Deus como política, os reis como mercenários, Jesus como o pobre mais amado e único a ser revisitado, os animais para abate e os camponeses como capacho. O que muda então? Muda saber que ainda teremos um tempo para ver e enxergar, ouvir e escutar, e quem sabe, colecionar presépios reais, em ceias verdadeiras e tempos de paz.

Basta acreditar; nós acreditamos e vamos nos apoiando, não milagres de dias marcados, mas, nesse Natal que acreditamos, que não se encerra, que não se empacota e guarda para o próximo ano, mas nesse, que se costura a imensa colcha de retalhos e se acende as tochas para que quem quiser ver, que veja e siga plantando.