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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

UM 2015 DESCOMPLICADO.

 

 Foto acervo: AMSK/Brasil

Sabem aquelas matérias que podemos ler com a tranquilidade de quem lê alguma coisa feita especialmente para agregar conhecimento? Daquelas que sabemos que quem está do outro lado da telinha sabe do que fala? 

Lendo o texto do José Carlos, me lembrei de uma pergunta que fiz a pouco tempo atrás, numa roda de pessoas e suas entidades e me lembrei hoje o quanto sua reação foi parecida com o texto. Enquanto muitos pensam em reter, ele prontamente respondeu: podemos somar.

Desejamos uma boa leitura a todos, um muito obrigada ao autor do texto e que todas as recomendações sejam levadas a sério.

gentileza,

paciência,

serenidade,

respeito,

alegria e 

esperança...

 como dizia minha avó: a vida é simples filha, a gente é que costuma complicar mesmo.

Nevo Bersh 2015

Feliz Ano Novo 215

AMSK/Brasil

Associação Internacional Maylê Sara Kalí

Artigo| PASSAGENS PRECISAM DE CALMA

30 de dezembro de 2014 1
JOSÉ CARLOS STURZA DE MORAES
Coordenador do Projeto Protagonismo de Crianças e Adolescentes (Amencar), conselheiro do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedica)

Dia desses li uma tirinha da Mafalda, essa argentina que tanto amamos.
Indagava ao pai se o ano novo existia mesmo, ao que o pai afirmava efusivamente que sim. Então, de seu jeito Mafalda de ser, ela o questionou de forma mais categórica: se ele o havia visto.

Tal diálogo me vem à baila quando percebo a angústia e o estresse de tanta gente nesse período de festas. Um pouco das correrias, dos apressamentos e das bebedeiras e outras entorpecências da vida nesses dias. A paciência anda pouca. Nesse percurso, perdem-se vidas, transbordam violências e exemplos pouco defensáveis de valores humanos. Um segundo a mais atrás do semáforo é um calvário, cinco minutos numa fila um absurdo, uma ultrapassagem sofrida um acinte.

Nessa ânsia de gozar o prazer antes, e primeiro, podemos estar enterrando-o. Ou nos hospedando não em hotéis, mas em hospitais, ou ainda sendo hospedados na última morada de todos nós.

2015 entrará sorridente e desdentado como todo ano novo, mas poderíamos aguardar essa invenção que tanto nos organiza de um jeito mais interessante. De um jeito mais prazeroso e generoso. A solidariedade, o dar lugar, pode também gerar prazeres, que o digam os milhões de voluntários e militantes de causas sociais em todo mundo.

Querer para outras pessoas ou para outras pessoas também é inventar jeitos de felicidades duradouras e calmas.

Um minuto de adiamento do prazer pode ser como aquela fome abastecida para saborear melhor o momento do banquete, que vamos comendo antes com os olhos. Curtir os aromas do arredor não tem preço, mas contém fragrâncias, descritíveis e indescritíveis, pois nem tudo cabe nas telas e nos teclados dessa nossa ultramodernidade das telinhas touchscreen.

Ensinar paciência, tolerância e apreço ao outro, para nós professores, pais, mães (adultos em geral) pode ser apenas o exercício de um ato, pois educação continua a ser centralmente, nas relações humanas, o exercício do exemplo. Normas legais temos muitas e mais e mais são editadas a cada ano, entre outras coisas porque não as observamos. A vida pode ser mais simples e pode ser prazerosa.

 http://wp.clicrbs.com.br/opiniaozh/2014/12/30/artigo-passagens-precisam-de-calma/


terça-feira, 30 de dezembro de 2014

2014/2015



Estamos na porta de 2015 com uma expectativa muito boa e ensaiamos a despedida de 2014 com muita cautela e o senso de dever cumprido.

Em 2014 a AMSK/Brasil, cumpriu seu papel e alargou suas fronteiras. Sobrevivemos a tempestade da desinformação, a ignorância de muitas situações e a soberba dos maus intencionados. Entretanto tudo isso produziu um efeito contrário e graças aos anos anteriores e aos mais velhos; conseguimos manter a cautela e avançar.

Fechamos o ano no saldo positivo, das esperanças que se renovam, das pastas que se abrem e dos acordos firmados. Enfim se descortinou o céu e hoje, todos sabem a que viemos.

Nesse divisor de águas, sofrido, mas extremamente proveitoso, dialogamos com áreas os quais desconheciam por absoluto a pauta cigana e assim, novas janelas foram abertas e novas possibilidades de acordo foram firmados.

Adelante, avante, opchá, no caminho das coisas sérias. 

Cada rancho, cada casa, cada acampamento e cada uma das pessoas que estiveram presentes em nossas vidas no ano de 2014, ajudaram a construir nossas vitórias nesse ano. Pela primeira vez começamos a criar documentos, jurisprudências e a tecer a história. 

A AMSK/Brasil cresceu e junto com ela, os amigos verdadeiros permaneceram e duas novas diretorias foram abertas, nas quais nos orgulhamos muito e já nos primeiros meses de 2015, teremos novidades de estudos e pesquisas aprovados, no Brasil e no exterior. Esse novo modo de trabalho vem com parcerias que irão desenvolver de forma independente e conjunta, pautas de extrema importância, relacionadas a criação de novas políticas públicas e a novas aplicabilidades. Começa a se levantar aqueles que se mantiveram afastados por causa de muitos absurdos que já foram vistos em relação aos povos de etnia romani no Brasil e com isso, ganhamos um peso mais concreto na seriedade e na objetividade das questões afetas a etnia.

Consolidada em treze estados, mais o Distrito Federal, a AMSK muda sua estrutura para avançar ainda mais e consolidar as parcerias que se formam. 

A todos e a cada um, nais tukê, o nosso muito obrigada e que em 2015 possamos continuar quebrando estereótipos, conquistando espaços e realizando sonhos de um futuro melhor para todos os cidadãos e cidadãs de etnia romani.

Sastipên thaj Mastipen;
Todos e todas da AMSK/Brasil.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Cem Maneiras de Dizer Adeus: Os Ciganos e a Morte - parte II



Cem Maneiras de Dizer Adeus: Os Ciganos e a Morte


LUCAS MEDEIROS DE ARAÚJO VALE*
LOURIVAL ANDRADE JÚNIOR**

O extremo respeito aos mortos produziu várias “regras” específicas de moral e conduta diante da morte e do morto. “O luto pode ser guardado de uma maneira muito rígida durante três, oito, nove dias, ou então durante 12 ou 15 anos...” (MARTINEZ, 1989: 94-95). Pereira (2009) conta-nos que em alguns grupos ciganos o nome do falecido jamais deverá ser pronunciado novamente após o seu falecimento, sendo feita raríssimas exceções, usando-se, para se referir a ele circunlóquios e termos de parentesco. Ferrari (2010), ao relatar sua vivência com os Calons do estado de São Paulo, mostra que quando ocorre a visita de um outro Calon enlutado ao acampamento destes grupos, o respeito ao luto alheio obriga que se desliguem todos os aparelhos de som do ambiente.

Segundo Martinez (1989), em alguns casos, as roupas do defunto podem ser doadas ou então queimadas com todos os bens do morto, como ocorre em algumas famílias Manouches, já Ferrari (2010) lança seu olhar para uma prática bastante específica, que parece está associada a grupos nômades e seminômades Calons, de acordo com a autora, nas famílias estudadas, é necessário abandonar o local da morte, seguindo após o funeral para outra cidade ou para outro estado. Nos casos observados, a caminhada estava intimamente relacionada com o desejo de afastar-se das lembranças tristes que o ambiente poderia trazer:

O limite de uma vida impõe o limite de um espaço vivido. A morte de uma pessoa
instaura um corte espaço-temporal. É preciso criar um vazio, apagando todos os
sinais que lembram o morto. E, todavia o morto permanece na ausência. A memória
constante daqueles que se foram expressa na recusa mesma dessa rememoração, ao
evitar guardar objetos, fotos, ou passar por lugares em que viveram com eles.
(FERRARI, 2010: 257).

No interior do Rio Grande do Norte, através do projeto/plano de trabalho “Comunidades ciganas: O Seridó como território em movimento” podemos observar casos semelhantes, mas aparentemente sendo o temor aos espíritos o grande causador da movimentação de ciganos pela região do Seridó. Em entrevista com Francisco, cigano calon que vive no estado do Rio Grande do Norte, quando questionado sobre o porquê da saída de sua família do município de Caicó há vinte anos, este revelou que ele e sua família tiveram que partir após a morte do seu pai, pois “casa que morre gente cigano não fica” ¹. (¹FRANCISCO. Cigano Francisco e sua família. Caicó, 20 de Dezembro de 2012. Conversa informal com um cigano que estava de passagem com a sua família pelo município de Caicó/RN.)

No decorrer do diálogo, os outros membros da família confirmaram que após a morte de qualquer individuo, cigano ou não, que more na mesma residência, ou até na mesma rua, era seguida pelo abandono do recinto.

***
De forma geral, ainda muito pouco se conhece sobre a relação dos, assim chamados, ciganos com a morte, com o morrer, ou com os mortos. As infinitas variáveis da ciganidade e das práticas exercidas pelos ciganos, sejam eles roms, sintis, ou calons, é o que instiga e o que deve fundamentar todos os trabalhos referentes aos mesmos. Estar diante do cigano era estar diante da diferença extrema, fragmentadora” (TEIXEIRA, 2007: 137). Sobre a morte: são inúmeras as práticas e centenas as sensibilidades. Um único cigano pode até desconhecer e negar tudo aqui exposto, e apresentar em seguida cem outras formas de dizer adeus. Esta é simplesmente a maravilha de se trabalhar com estes povos em eterno “movimento”.

O nômade, o tsigano, resume, por onde ele passa, a totalidade da aventura invisível,
acessível somente através das estradas do imaginário, dos símbolos; além das
portas do nascimento e da morte, dos infernos e do céu, da noite e da luz das
sociedades nas quais eles vivem – além (MARTINEZ, 1989: 119).

Pags 5 à 7.

***

Referência Bibliográfica
ANDRADE JÚNIOR, Lourival. Da barraca ao túmulo: Cigana Sebinca Christo e as construções de uma devoção. Curitiba: UFPR, 2008. (Tese de doutorado).

BONOMO, Mariana.et al. Processos identitários entre ciganos: da exclusão a uma cultura de liberdade. Disponível em:<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1729-
48272009000100004&script=sci_arttext>. Acesso em 15 de Nov. 2012.

FONSECA, Isabel. Enterrem-me em pé: a longa viagem dos ciganos. São Paulo:Companhias das Letras. 1996.

FERRARI, Florencia. O mundo passa: uma etnografia dos ciganos Calon e suas relações com os brasileiros. São Paulo: USP, 2010 (Tese de doutorado).

FERRARI, Florencia. Palavra cigana: seis contos nômades. São Paulo: Cosac Naify, 2005.

FRANCISCO. Cigano Francisco e sua Família. Caicó, 20 de Dezembro de 2012. Conversa informal com um cigano que estava de passagem com a sua família pelo município de Caicó/RN.

MARTINEZ, Nicole. Os ciganos. Campinas: Papirus, 1989.

MOONEN, Frans. Anticiganismo e políticas ciganas na Europa e no Brasil. Recife: 2012.

MORAESFILHO, Melo. Os ciganos no Brasil e Cancioneiro dos ciganos. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1981.

MOTA, Ático Vilas-Boas da. (Org.) Ciganos: antologia de ensaios. Brasília: Thesaurus, 2004.

OLIVEIRA, Anna Clara Viana. Representação e autoidentificação social dos povos Rom, sinti e Calon: os chamados “ciganos”. Disponível em:
<http://www.unemat.br/revistas/fronteiradigital/docs/artigos/n2_2010/fronteira_digital_n2_20 10_art_6.pdf>. Acesso em: 23 de ago. 2012.

PERERIRA, Cristina da Costa. Os ciganos ainda estão na estrada. Rio de Janeiro: Rocco, 2009.

PIERONI, G. M. Vadios e ciganos, heréticos e bruxas 3. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006.

TEIXEIRA, Rodrigo Corrêa. Ciganos em Minas Gerais: uma breve história. Belo Horizonte: Crisálida, 2007.

VAZ, Ademir Divino. José, Tereza, Zélia... e sua comunidade em um território cigano. Disponível em: <http://portais.ufg.br/uploads/215/original_Vaz_ademir_divino_territorio_cigano.pdf>. Acesso em: 15 de set. 2012.

VISHNEVSKY, Victor. Memórias de um cigano. São Paulo: Duna Dueto,1999.


AMSK/Brasil

Cem Maneiras de Dizer Adeus: Os Ciganos e a Morte



Cem Maneiras de Dizer Adeus: Os Ciganos e a Morte

LUCAS MEDEIROS DE ARAÚJO VALE*
LOURIVAL ANDRADE JÚNIOR**

Como o galé deixa os ferros/ Quando vai livre viver, /
Assim deixarei meus dias/ Quando tiver de morrer./
A morte, por ser desgraça/ Não deixa de ser ventura, /
Pois corta pelas raízes/ Males que a vida não cura.
(MORAES FILHO, 1981)


Andrade Júnior (2008) define como sendo “cigano” todos os grupos romani, que, em linhas gerais, dividem-se em três grandes grupos - Rom, Sinti (também chamados de Manouch) e Calon, ou Kalon – e em outros vários subgrupos. Teixeira aponta estes grupos e descreve-os, mostrando seus dialetos próprios e algumas características específicas:

O grupo Rom, demograficamente majoritário, é o que está distribuído por um número maior de países. É dividido em vários subgrupos [...] Os Sinti, também chamados Manouch, falam a língua sintó e são numericamente expressivos na Alemanha, Itália e França. [...] Os Calon, cuja língua é o caló, são ciganos que se diferenciaram culturalmente após um prolongado contato com os povos ibéricos [...] onde ainda são numerosos, migraram para outros países europeus e da América. Foi de Portugal que vieram para o Brasil, onde são o grupo mais numeroso. (TEXEIRA, 2007: 19-20)

A grande dispersão dos ciganos pelo mundo, assim como as relações interpessoais estabelecidas pelos mesmos, indubitavelmente colaboraram no estabelecimento de diversas práticas fúnebres, diferenciando-se entre os grupos e até mesmo dentro de um mesmo grupo. É possível, por exemplo, encontrar um cigano pertencente ao grande grupo Calon que vive no Seridó potiguar brasileiro com algumas práticas bem distintas, ou com conotações diferentes, das do que vivem no estado de São Paulo, ou em países como Portugal e Espanha. Esta grande diversidade acaba, então, constituindo um enorme emaranhado cultural, projetando uma história marcada por exceções e contradições; “São diversos grupos cada qual com suas características próprias e com suas táticas de sobrevivência.” (ANDRADE JR, 2008: 18)...

***

No clássico “Os Ciganos no Brazil”, publicado primeiramente em 1886, reúnem-se algumas das trovas e quadrinhas fúnebres de autoria calon relatadas por intermédio de Moraes Filho, que pôde registrá-las, principalmente, graças a sua atuação médica que lhe permitia “invadir” as casas ciganas para acompanhar os últimos momentos de alguns desafortunados. Através desse cancioneiro podem-se ter, minimamente, algumas informações correspondentes ao quadro sociocultural e econômico de alguns destes calons, além de perceber a forma que a morte aparecia nestas casas em meados do século XIX. Elucidamos aqui uma destas trovas:

CONSOLAÇÕES DA MORTE

Os dias dos infelizes
Seriam mais lutuosos,
Se a Morte só alcançasse
Os viventes venturosos!

Mas não; os céus complacentes,
Vendo injustiça nos fados,
Consentiram que extensiva
Fosse ela aos desgraçados.

Assim, eu bendigo a Morte,
Que me faz inda sorrir;
Porque sei que, só com ela,

Minhas pernas se hão de ir!

Bendigo, porque dos tristes
Não eterniza a provança;
E surge sempre em minh’alma
Como um fanal d’esperança!

Como a crença que me diz
Que com ela tudo finda,
Como o meu maior conforto
Que me faz sorrir ainda! (MORAIS FILHO, 1981: 76)

As trovas fúnebres geralmente eram proclamadas durante os velórios, onde a viúva mergulhava-se em lágrimas e era confortada pelos mais próximos. Essa trova, em especial, mostra a grande falta de esperança para com a vida, o que certamente é fruto de um longo período histórico marcado pelas perseguições, marginalizações e preconceito, além das condições subumanas, de extrema pobreza e abandono, em que muitos ciganos viviam no Brasil. Andrade Jr, também versa sobre a morte e discute as várias conotações atribuídas pelas famílias ciganas “tradicionais” do Brasil:

É fato que a morte para os ciganos tinha muitas conotações. A morte de um cigano com idade avançada era encarada como uma vitória, e a vida após a morte deste cigano seria coroada de muita alegria. Já a morte de uma criança ou de um adulto por qualquer acidente era vivenciado como algo terrível e o sofrimento era visível. (ANDRADE JR, 2008: 41)

Observando ambos escritos, é possível perceber a dualidade e os significados que a morte pode conotar. Na trova ilustrada por Moraes Filho, os ciganos mal-afortunados dão um sentido poético à morte, que “com ela tudo finda”, aliviando as dores e prometendo dias melhores no além-vida. Andrade Jr, por outro lado, mostra que já em outros casos ela pode causar um imenso infortúnio e pode estar acompanhada de grandes angústias...

Segundo a brasileira Cristina da Costa Pereira (2009), a reverência e os cultos aos mortos, prestados pelos ciganos, demonstram o forte sentimento de religiosidade e sensibilidade existente nesses grupos. “De uma maneira geral, os ritos que seguem à morte, nas sociedades tradicionais, são estreitamente ligados à ideia da vida além da morte, conseqüentemente à idéia da alma” (MARTINEZ, 1989, p.94). Para Pereira (2009), o carinho dos ciganos pelos seus entes queridos que já se foram são a garantia de que o duho, a alma, não ficará mais vagando pelos lugares da Terra e seguirá em paz para outro local, ao som das palavras t’avel erto (descanse em paz) ...

A pomana é um dos ritos fúnebres realizados por alguns ciganos para homenagear o ente querido. Segundo Moonen (2012), trata-se de uma tradição de origem balcânica que foi assimilada e é exercida pelos ciganos pertencentes ao subgrupo Kalderash, do grande grupo Rom. Nesta festa fúnebre, geralmente reúnem-se amigos e familiares a fim de se despedir daquele que teve a sua vida interrompida. “Dá-se, então, um banquete com as comidas e bebidas preferidas do antepassado.” (PERERIRA, 2009: 76). É proibido, durante a cerimônia, tudo que o mesmo repudiava, por exemplo, se o cigano morto não fumasse, em respeito à esse, os demais não deveriam fumar. Pereira descreve detalhadamente o ritual:

No centro da mesa do banquete, ficam a pogatsha com uma vela acesa em memória
do antepassado e uma garrafa de vinho fechada.
Depois de tudo terminado, com a
partida dos convidados, o que estava sobre a mesa,
oferecido ao morto, será jogado
num riacho, numa cachoeira ou mar (PERERIRA, 2009: 77).

Páginas 2 á 6.
2013 
***

AMSK/Brasil